E se eu numa esquina qualquer te vir será que você vai fugir?
deus sabe o que quis foi te proteger do perigo maior, que é voce
e eu sei que parece o que nao se diz, o seu caso é o tempo passar;
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
4.20
Eu sinto como se minha boca fosse secar a qualquer momento. O guarda-chuva sente como se ele quisesse sair voando. O sol entra pelas nuvens cinzas como se ele pudesse romper essas barreiras. (A flor roxa achou outro pigmento fotossintético e sente como se pudesse ser melhor do que as dotadas de clorofila.) A Fifi tenta entrar pela porta como se ela pudesse entrar na minha vida sem nem pedir permissão (Fifi - como pôde?). Eu corro pela rua, por esta rua, por onde andamos, onde te beijei... como se eu pudesse simplesmente apertar um botão e pudesse tê-la de novo. The xx canta em meus ouvidos como se essa música surreal pudesse desfragmentar meus pensamentos e me poupar de tanta coisa. Eu andava por aquele parque - presa às minhas, a tua mão (Nel mezzo del cammin)- e pensava como se eu pudesse me permitir a achar aquele momento verdadeiro. Eu penso em como pude me sentir tão fodidamente fodida? But you treat me like a stranger and that feels so rough... But you didn't have to cut me off; make out like it never happened and that we were nothing... Now you're just somebody that I used to know. Subo por esta rua - acabo de descobrir ter tido um momento maravilhoso olhando para este céu, a procura do sol, escondido atrás das nuvens - como se eu pudesse me sentir feliz de novo. Essa chuva nesse fim de tarde afirmou, me permitiu acreditar que ela limparia as impurezas dos fins de tarde. O sol olha para mim como você nunca olhou. Ele nunca deixou de me iluminar, ele nunca desistiu de mim e quando penso no pior, ele brilha mais para mim - me sinto quente, esquentada por ele, confortada por ele. Ele sim me faz bem. Ele me afirma ao máximo! Ele mesmo se afirma com aqueles raios radiantes - não se acomoda.
Maybe, maybe, I might be a little scared...
Maybe, maybe, I might be a little scared...
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Nunca mais troco estrela por nuvens. Por um breve período tudo parecia realmente esclarecido e preciso. Mas não precisou de muito para que tudo se ofuscasse e passasse a viver sob uma constante dúvida.
Pensei que poderia trocá-las sem pagar preço algum. Me engano.
Quero destrocar, não cometer o mesmo erro. Elas são minhas amigas; a quem já pedi um dia que trouxessem meu verdadeiro sorriso de volta.
Estava tudo cinza...mas elas o trouxeram. Só não demorou pra que ele se perdesse de novo. Por isso dessa vez preciso destrocar de uma vez por todas.
Quero-as de volta, me acompanhando onde quer que seja, para que da próxima vez que me falarem para olhar pro céu, eu ver que elas estão lá brilhando para mim.
'E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".'
Pensei que poderia trocá-las sem pagar preço algum. Me engano.
Quero destrocar, não cometer o mesmo erro. Elas são minhas amigas; a quem já pedi um dia que trouxessem meu verdadeiro sorriso de volta.
Estava tudo cinza...mas elas o trouxeram. Só não demorou pra que ele se perdesse de novo. Por isso dessa vez preciso destrocar de uma vez por todas.
Quero-as de volta, me acompanhando onde quer que seja, para que da próxima vez que me falarem para olhar pro céu, eu ver que elas estão lá brilhando para mim.
'E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".'
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
I'm so out of my mind those days... is not that I don't know what I want, is that I know what I don't want. And sometimes it feels just heavy, because pratically nobody gives a shit, nobody cares. If it was not enough - my head full with stuff that really care, that I should be trying fo focus the most-, I keep on thinking and reminding and digging something that was suposed to be 7 feet under. I have no fucking idea of why this happens. I just wish I could know how to stop it. Is there a solution? Does it ever go away? - I don't even know if I want this to go away... I have never written, or put it out this way before, but I don't even know if I want this to end. I think we didn't even had the chance to try something... how can this be over? I don't know if in the future we'll be able to try something... I don't know anything.
I just wish I had some answers. I'm tired of being the seeker of answers, why can't I be the question for once? I'm tired, exhausted of trying to understand me, you, everybody. Nobody wants to be understood - but sometimes they are just so predictable... and sometimes so disappointing.
...
I don't even know where I'm going, which conclusion I'm taking out of it. I'm tired of not having any conclusion. I'm tired of no closer at all. I'm tired of being thrown at the shore... Why can't I just be on the ground or swimming in the sea? Do I always have to be thrown aside? It hurts. It consumes me. It makes me shiver.
I'm out of my mind. I don't feel my feet stablished on the ground. I don't know where I'm going, where this is all taking me...
just fuck it. fuck it all. I need my time back. My time to be myself.
I just wish I had some answers. I'm tired of being the seeker of answers, why can't I be the question for once? I'm tired, exhausted of trying to understand me, you, everybody. Nobody wants to be understood - but sometimes they are just so predictable... and sometimes so disappointing.
...
I don't even know where I'm going, which conclusion I'm taking out of it. I'm tired of not having any conclusion. I'm tired of no closer at all. I'm tired of being thrown at the shore... Why can't I just be on the ground or swimming in the sea? Do I always have to be thrown aside? It hurts. It consumes me. It makes me shiver.
I'm out of my mind. I don't feel my feet stablished on the ground. I don't know where I'm going, where this is all taking me...
just fuck it. fuck it all. I need my time back. My time to be myself.
Talvez eu procure por um padrão. Talvez a explicação seja a realização de um padrão. Então analiso. Tento achar comportamentos semelhantes, reações condicionadas -premeditadas-, pensamentos impensados... E não chego a nada. Quanto mais penso que sei o meu padrão, mais perto da conclusão de que meu padrão não existe, eu fico. Não sei se é bom. Sei que não gosto de seguir rotinas. Vou com o fluxo... mas apenas o fluxo das minhas vontades - não quero nem vou agir de acordo com o que os outros põem em pauta-. Querendo ou não é a minha vontade... Então posso generalizar! - O negócio é que não posso generalizar. As coisa são relativas, dependem de tudo. Então novamente, minha conclusão é nenhuma. Tenho padrão e não tenho padrão. Só sei que sigo um fluxo e quem sabe um dia ache meu padrão, ou quem sabe ate uma conclusão...
domingo, 20 de novembro de 2011
everything will be fine. it's just a soft storm, it will be gone soon. all the thunders will silent down and we'll see a calm field up on a mountain where we can look and see everything we achieved and everything that is still yet to come
just believe on time, try to believe in people
---
if i've got anything to do with you feeling bad, all i can say is i'm sorry. don't ask so much from me right now, i can barely walk with my feet on the groud. everything's really messy. but i promise, it will all be fine
just believe on time, try to believe in people
---
if i've got anything to do with you feeling bad, all i can say is i'm sorry. don't ask so much from me right now, i can barely walk with my feet on the groud. everything's really messy. but i promise, it will all be fine
Amor é necessário mas as vezes há o contentamento. Ou conveniência? Ou covardia? Ou dúvida? Ou impotência?... Às vezes aquilo pode ser o que a pessoa mais quer, mais deseja... mas há o comodismo - tantas palavras para descrever esse talvez... E mesmo assim às vezes parece ser a melhor saída -ou melhor fingimento... É necessário, mas é preciso pois é muita precisão ao escolher os poucos afortunados do amor.
Desse amor...
O tal amor.
... O nosso amor. Aliás, o que era? 'Doutor acho que estou perdendo a cabeça!'
Mas é perdendo a cabeça que cada vez mais você fica mais perto da utopia? Ou a gente nunca acerta?
Tudo é relativo. Você pode gostar de acertar e ter aquilo por um longo período ou você pode ser conveniente, comodista e gostar de momentos e momentos que têm fim. E eu poderia continuar, mares e mares afora com o nosso ex-futuro amor... Não chegaria à conclusão alguma... Conclusão?
Ainda existe conclusão? Acho que estou confundindo com muita pretensão... É muita destreza. E me vou.
Me vou. Para quem sabe, um dia, encontre o amor.
Desse amor...
O tal amor.
... O nosso amor. Aliás, o que era? 'Doutor acho que estou perdendo a cabeça!'
Mas é perdendo a cabeça que cada vez mais você fica mais perto da utopia? Ou a gente nunca acerta?
Tudo é relativo. Você pode gostar de acertar e ter aquilo por um longo período ou você pode ser conveniente, comodista e gostar de momentos e momentos que têm fim. E eu poderia continuar, mares e mares afora com o nosso ex-futuro amor... Não chegaria à conclusão alguma... Conclusão?
Ainda existe conclusão? Acho que estou confundindo com muita pretensão... É muita destreza. E me vou.
Me vou. Para quem sabe, um dia, encontre o amor.
preta pretinha..
"Eu sou um pássaro que vivo avoando
Vivo avoando sem nunca mais parar"
-
I actually thought it would take a while longer to almost feel this again.
you amaze me.
you... just leave me with no words.
you confuse me.
you mess with me.
that's messy... ... ...
play fairly with me.
don't leave me here searching for answers when it might not even be one.
just give me the cards straight ahead.
don't leave me the fucking doubt.
----
the good thing is that you owe me nothing,
not a hi, not a goodbye, not a goodnight.
...nothing, nothing.
it just felt so good, was such a great night.
a great feeling.
it might not have any answer, but i won't be so upset;
the night could've spoken for itself.
i'd want a lot more of those nights,
but if there really are no answers, i'll be content.
what A night.
what A night...
WHAT A NIGHT!
Vivo avoando sem nunca mais parar"
-
I actually thought it would take a while longer to almost feel this again.
you amaze me.
you... just leave me with no words.
you confuse me.
you mess with me.
that's messy... ... ...
play fairly with me.
don't leave me here searching for answers when it might not even be one.
just give me the cards straight ahead.
don't leave me the fucking doubt.
----
the good thing is that you owe me nothing,
not a hi, not a goodbye, not a goodnight.
...nothing, nothing.
it just felt so good, was such a great night.
a great feeling.
it might not have any answer, but i won't be so upset;
the night could've spoken for itself.
i'd want a lot more of those nights,
but if there really are no answers, i'll be content.
what A night.
what A night...
WHAT A NIGHT!
terça-feira, 15 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
venha, resposta
Que vontade súbita de saber como você está. Na verdade não é súbita, só aparenta ser porque venho tentando não pensar nisso; ignorar isso como um pensamento, sentimento, memória. Qualquer tipo de reminiscência é cortada por um brusco balanço de cabeça em que se ouve, ecoando em minha mente: 'Chega, chega de tentar reviver esses momentos'. Faço isso para meu bem, faço isso para parar de me fazer de idiota, palhaça. Queria não me importar de uma vez por todas. Queria parar de lembrar, de sonhar. Só queria parar. Pois sonhei hoje, e não gostei. Não gostei pois não quero ficar lembrando. Mas algo insiste, fica ali cutucando. Me atormentando. Me deixei ser orientada pela emoção por tantos meses... talvez eu não me arrependa, talvez eu realmente tenha tido que passar por isso. Talvez eu tivesse que ter visto com meus próprios olhos o que se deve ou não abrir mão e quando. Esse quando demorou, mas chegou. Parece que fiquei parada, por fora da situação analisando e analisando, observando e ponderando o que seria melhor fazer. Eu já sabia há muito tempo o que seria melhor, mas foi a emoção. A emoção me prendeu àquilo. E só me desprendi com um tranco. Então é. Eu tinha, sim, que ter passado por isso. Mas tá, eu já passei. Por que não dá pra parar com isso agora? Por que ainda tá levando tempo? Sai de mim emoção - preciso que a razão me puxe para cima novamente. Estou sentindo você me puxando para baixo, e para baixo. Mas não! Já tenho os antígenos, meu corpo já produz anticorpos para te combater. Espero só pelo tempo de resposta - que não deve ser mais tão demorado quanto foi da primeira vez.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Imperador do reino sob as águas
'Me ajude! O que eu posso fazer para que você me ajude?'
'Vou explicar; vá até um médico e diga: 'Doutor, eu estou perdendo a cabeça!'
'Vou explicar; vá até um médico e diga: 'Doutor, eu estou perdendo a cabeça!'
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
E era um pássaro pairando sobre as águas de um oceano qualquer
Abriram as possibilidades. E se via ali olhando... O ir e o vir, o ser e o estar, o pensar e o sentir. Já nem sabe o que é sentir, o que é distinguir, se vai ou se fica, se é ou quer estar. Houve fragmentação, desfragmentação, por um período até que bem prolongado. Não acabou, não vai acabar; vai sempre se desfragmentar, mas nesse momento se via ali... no espaço, solto, pairando, observando, esperando, analisando, encaixando, supondo, propondo. Propondo... e propondo, propôs a si mesmo: mergulhar de vez, pegar o peixe e viver sobre aquela satisfação passageira, que logo passará quando tentar sair da água e não conseguir voar por causa do óleo impregnado em suas penas...? Ou pairar e ficar na inércia do contentamento? Ou ir e se libertar? Pensa nas possibilidades; cria situações hipotéticas; tende. Pensa no positivo e no negativo, mas tende pro tanto faz. Pensa no futuro, no movimento das coisas, no fluxo que rege o ir e ser das coisas... e tende a nada. Pondera sobre o que será, para onde irá... Mas tende a só ponderar e ponderar. Olha então para o passado. Sente um súbito aperto e perde força nas asas, quase perde o equilíbrio, está quase caindo. Repulsa, decepção, estagnação. Não viu mudança, não consegue ver a mudança, não provaram-lhe a mudança. Mas volta àquele momento em que está se perdendo, e algo o puxa de volta; algo o põe de volta nos trilhos e não fraqueja. Seu algo, sua razão começa a fazer sentido, cala o que bombeia vida por entre suas veias e o puxa de vez. Volta a pairar, e se vendo naquela situação de observar, analisar, esperar, prefere de uma vez por todas investir em seu bem estar. E põe suas asas para voar. E voa. Livre, leve solto. Preso somente num fluxo confiável de suas próprias vontades.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Virou rotina
Olho para o teto e vejo a luz do poste entrando na sala como a luz da lua. Elas se misturam e eu deito aqui para olhá-las. Peço para que minha admiração pela lua seja o suficiente para que sua luz me dê forças. Ouço a música alta, muito alta para que meus ensudercedores pensamentos se misturem com a melodia da música e tudo fique tão alto que não dê para distinguir.
sábado, 27 de agosto de 2011
O que dá pra fazer... Não se pode esconder...
O que dá pra fazer.... Não se pode esconder. Todos queriam a novidade de acordar sem um bom dia de você. Se é bom ou ruim... Brilho do mar, tempestade pra refazer... se faz bem ou mal, nao queria entender. Todo mundo me mostrou, eu é que me fiz ensurdecer. Tudo se tornou claro aquele dia; veio tudo à tona quando me despedi e sentei na rede. Descansei com meu cigarro enquanto minha mente padecia num estalo. Era a hora de parar, acabar. Não feito isso, agora resta estancar. Grande ferida que a cada momento que tento remediar, sinto um frio vindo das profundezas de tamanha decepção que veio a se tornar. E o tempo... Estou dando tempo. Estou deixando-a respirar, estava cansada de sufocar. Vejo isso agora, mas na rede, olhava o céu enquanto involuntárias e intermináveis gotas marcavam meu rosto cheias de esperança e descontentamento. Queria eu, nao ter sabido adivinhar, um pouco de imprevisibilidade teria-me feito caminhar. E eu esperei, e as intermináveis, sao agora raridade. Parece que não sinto nada, nem riso, nem vontade de chorar, e então tudo se resume a relembrar. Pena que é com tanta frieza... Me traz tristeza. Solidão... Amarga solidão que se manifesta nessas noites escuras sentada ao chão da sala sentindo a brisa do vento por entre as frestas da janela. Lá fora brilham os astros, brilham as luzes da cidade, brilham as memórias no meu coração. Tudo que peço é por uma mão. E é chato, por mais que meu dia tenha sido ocupado por coisas boas e as simplicidades de olhar para as árvores das ruas e ouvir músicas no ônibus e sentar nas calçadas e encostar no museu, aqui estou eu... Ao me contornar afim de evitar, fico à margem de mim mesma. Tempo... A tempestade no mar desse período vai acabar. Talvez continue, só preciso achar algo para me estabilizar, equilibrar. Preparo para me ancorar. Tempo... O brilho do mar vai voltar.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Aqui as ruas me faltam.
"Tempo de recomeçar.
Solidão eu já vivi,
na cidade que não volta.
Todo meu amor até
impossível de se dar.
Tarde de se andar a pé
na cidade que não volta..."
Na cidade cujas ruas me acalmam,
a beleza é tanta que chego a estremecer.
Ó noite estrelada, ando para espairecer,
pois os ventos e postes de lá me aclamam.
Ando por aqui a contemplar o dia.
As simplicidades constroem em mim
devaneios de uma alma cheia de mania.
Como ver um oasis, me liberto do que é ruim.
Ouço aqui, cada passarinho; o sol
é amarelo. Sinto cada brisa
do vento que me avisa:
"Volte com seu listrado cachecol!
Ruas e postes estão a te esperar."
É... pra lá que vou voltar!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Fora da ilusão, a espera é solução.
Estou irritada, sufocada. Me falta ar.
A natureza vaga de tuas ações me repugnam.
Tuas palavras - cheias de destreza - me convidam
a um jogo capcioso. Não quero jogar.
Tuas traiçoeiras palavras plantam com facilidade
a esperança que fica a espera do semear,
protagonizado por tuas ações que deixam a esperar.
Até a criança iludida discerniria melhor a realidade.
Fiquei estática por muito tempo; a espera se arrastava.
Mas finalmente me despeço dessa história.
"Liberdade, tranquilidade, novidade"... Ela murmurava.
Sentava-me por entre as folhas e galhos da minha árvore
e ficávamos ali, a observar o fim da tarde. Satisfatória
companhia que me acolhia com grande saudade... Ah, minha árvore!
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Credo
Não se olha uma peça de teatro como um quadro,
pelas emoções estéticas que elas proporciona,
mas a gente a vê concretamente.
Eu não tenho cânones estéticos,
não me sinto ligado a nenhuma época do passado,
elas me são desconhecidas e não me interessam.
Sinto-me apenas profundamente engajado em relação
à época em que vivo e às pessoas que vivem ao meu lado.
Creio que um todo pode conter lado a lado barbárie e sutileza,
tragicidade e riso grosseiro, que um todo nasce de contrastes
e que quanto mais esses contrastes são importantes,
mais esse todo é palpável,
concreto,
vivo.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Vulcões e flores
Vulcões e flores,
é um paradoxal mistério.
Exibem o sacrifício da atração e amores;
criam seu elo com um negativo critério.
A causa do crime é um tremendo magnetismo
masoquista. Querem tanto ficar juntos, mas demonstram temores
ao mergulharem no ceticismo; martírio ao se apoiarem no idealismo.
A crista da lava de um lado e, do outro, o vale de flores.
Tentam se acostumar com a ideia
de irem ao encontro periodicamente.
Mas não aguentam mais a prosopopeia.
Basta de forçá-los falar! Se quiserem
ficar calados, pois fiquem. Voltem rapidamente
à inércia contínua de não se moverem!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Amenize, amenize... já não dá mais para esperar por essa força.
As horas voam, os dias se subtraem;
a correria que se acomodou é tanta
que na vã tentativa de me destrair, nem me dou conta
das vastas oportunidades que se esvaem.
Na tendência, tudo segue seu fluxo;
Mas alguma coisa parece fazer-me estagnar,
me sinto presa, sufocada; quero me libertar!
Persisto pedindo para que algo me resgate, imploro pela naturalidade de um empuxo.
Seja lá qual for o impulso,
o acolherei com grande intensidade.
Tento fazer com que isso saia; expulso
seja lá o que estiver me impedindo.
Quero progredir, quero novidade!
Pode amenizar? Por favor... vá diminuindo!
a correria que se acomodou é tanta
que na vã tentativa de me destrair, nem me dou conta
das vastas oportunidades que se esvaem.
Na tendência, tudo segue seu fluxo;
Mas alguma coisa parece fazer-me estagnar,
me sinto presa, sufocada; quero me libertar!
Persisto pedindo para que algo me resgate, imploro pela naturalidade de um empuxo.
Seja lá qual for o impulso,
o acolherei com grande intensidade.
Tento fazer com que isso saia; expulso
seja lá o que estiver me impedindo.
Quero progredir, quero novidade!
Pode amenizar? Por favor... vá diminuindo!
domingo, 12 de junho de 2011
Floresça ou saia, já se passou tempo demais.
Eu quero escrever. Eu quero contar. Eu quero relembrar. Mas faltam-me palavras, falta-me a coragem de dizer que eu sinto falta, que eu queria mais. Fica difícil exteriorizar o que não quer ser exteriorizado. Que na verdade quer, mãs nao sai. Não consegue sair! Saia de mim, sentimento! Não percebe que está me corroendo? Deixe-me lembrar, deixe-me reviver, deixe-me registrar! Se Bentinho conseguiu, se Paulo Honório conseguiu, por que nao hei de conseguir? Se eu começar a refletir, por favor não me interrompa. Impeça-me de suspirar em meio a tanta felicidade revivida. Não me deixe hesitar. Porque é agonizante, dói. Por isso peço-lhe para que saia. Saia de uma vez, que eu já reguei tudo o que tinha para ser regado; ele que teimas em não florescer! Não tá dando mais. A água vai acabando, a vontade de regar vai se esvaindo. Por isso, imploro, para que se há de florescer, floresça logo. O mais rápido que puder! Eu não aguentaria viver com o fato da desistência - desistência não, cansaço. Os argumentos que antes escorregavam, já sentem mais dificuldade de sair com a mesma convicção - o estar tudo bem já não parece mais tão convincente. Tô bem por um lado, não sei pelo outro. Não sei qual lado é maior. Mas já dói o suficiente. Queria achar razões para não estar completamente, inteiramente bem. Acho refúgios, acho ocupações. Assim consigo evitar essa corrosão. Pois eu queria só contar. Eu queria só relembrar. Eu queria só reviver. Eu tento não hesitar. Mas insistes em teimar. Não desaponte os ventos que te trouxeram para mim lá de longe; não desaponte o acaso que te semeou no meu coração. Por isso insisto: se há de florescer, que floresça já! Pois se não florescer, temo que terá de sair, e eu não queria parar de te regar quando a última gota caísse.
A thought.
Every night I empty my heart,
but by morning is full again.
Slowly, droplets of you seep in
through the night's soft caress.
At dawn, I overflow with thoughts of us;
an aching pleasure
that gives me no respite.
Love cannot be containned.
The neat packaging of desire splits assunder
spilling Carmesim through my days,
long languishing days,
now bruised tender with moan.
Spent searching for a fingerprint,
a scent, a breath you left behind.
but by morning is full again.
Slowly, droplets of you seep in
through the night's soft caress.
At dawn, I overflow with thoughts of us;
an aching pleasure
that gives me no respite.
Love cannot be containned.
The neat packaging of desire splits assunder
spilling Carmesim through my days,
long languishing days,
now bruised tender with moan.
Spent searching for a fingerprint,
a scent, a breath you left behind.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Fadiga
A respiração prolongada, é nefasta.
O diafragma se contrai, mas em vão é a força.
Queria sentir o toque. A vontade se arrasta.
Mas nada sente em troca, da moça.
O ar entra abrindo as vias até os pulmões,
vai levando a vida para o seu interior. Pontada!
Enquanto deveria se sentir aliviada.
Sente o grito aflito vindo das entranhas quando lembra das feições.
Nada mais sente a não ser insuficiência.
É tanto esforço, mas resta apenas a impotência.
Procura explicações... pulmões se encontram estagnados.
A hematose não acontece. Os alvéolos estão congelados.
O coração, sem oxigenação,
vai pulsando com menos frequência. Demorada palpitação.
O que era intenso, vai se amenizando.
Queria receber afago da mão.
Mas vai parando... parando...
até que o último suspiro anuncia a exaustão.
O diafragma se contrai, mas em vão é a força.
Queria sentir o toque. A vontade se arrasta.
Mas nada sente em troca, da moça.
O ar entra abrindo as vias até os pulmões,
vai levando a vida para o seu interior. Pontada!
Enquanto deveria se sentir aliviada.
Sente o grito aflito vindo das entranhas quando lembra das feições.
Nada mais sente a não ser insuficiência.
É tanto esforço, mas resta apenas a impotência.
Procura explicações... pulmões se encontram estagnados.
A hematose não acontece. Os alvéolos estão congelados.
O coração, sem oxigenação,
vai pulsando com menos frequência. Demorada palpitação.
O que era intenso, vai se amenizando.
Queria receber afago da mão.
Mas vai parando... parando...
até que o último suspiro anuncia a exaustão.
domingo, 15 de maio de 2011
stars
E respirava,
E suspirava,
E sufocava,
E soluçava.
Depois de um tempo
nem sabia mais o porquê
de tanto soluçar.
E mesmo assim,
só respirava,
só respirava,
só soluçava.
E suspirava,
E sufocava,
E soluçava.
Depois de um tempo
nem sabia mais o porquê
de tanto soluçar.
E mesmo assim,
só respirava,
só respirava,
só soluçava.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Árvore menina
Naquele fim de tarde, iluminadas e lindas
estavam aquelas folhas cheias de vida!
No horizonte, o sol fazia sua breve e condenada despedida.
Da copa à base; da luz à sombra; do alívio ao sufoco... a ida e
[ a vinda...
Na tentativa de dificultar o complicado voltar,
os galhos tortuosos se confundiam na sombra, queriam recuar.
Mas estavam condenados! Não mais iluminados, seguiam sozinhos.
Queriam ficar, se estabilizar, suportar ninhos...
Muita força fazia o tronco afim de sustentar
toda aquela aparência. Árduo, era aguentar,
enquanto suas raízes buscavam desesperadamente
por algo que a fizesse respirar novamente!
Queria encontrar qualquer reminiscência,
mas difícil ficava; quando perdida, estava sua essência.
sábado, 7 de maio de 2011
Pára de esperar!
Eu não ligo!
Eu esperei por alguma decisão!
Esperei... mesmo não sabendo o que esperar!
E você tava não decidindo por aí,
enquanto eu pensava que era tudo uma reflexão.
Eu nao ligo!
Eu tenho que seguir. Tentar.
Eu tenho que não decidir por aí.
Estou chata, brava. Sai do meu lugar!
EU TENTO NÃO LIGAR!
Eu esperei por alguma decisão!
Esperei... mesmo não sabendo o que esperar!
E você tava não decidindo por aí,
enquanto eu pensava que era tudo uma reflexão.
Eu nao ligo!
Eu tenho que seguir. Tentar.
Eu tenho que não decidir por aí.
Estou chata, brava. Sai do meu lugar!
EU TENTO NÃO LIGAR!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Súplica inquietante
Pelas ruas movimentadas, vazia, ela anda...
Na carência, sorri tardiamente aos que passam
na sua vida. É momentâneo, não ficam
Mas estranham ao ver que o que deveria fluir, desanda.
Anda pelas ruas fagocitantes. Tenta buscar
momentos em sua memória, voltar ao bom senso,
àquelas esquinas onde tudo fluía. É intenso!
As esquinas parecem envolvê-la. Há a inércia de ficar.
Mas há de voltar. Ruas e esquinas ficam a esperar.
Refúgio! Precisa se refugiar. Inquieta está!
Ao relembrar, contempla o céu. Suplica
às amigas brilhantes que a tragam seu verdadeiro sorriso.
Sem resposta, sente chover. Não há distinção das gotas. É corrosivo.
E os passantes, estranham. Além das gotas, tardio sorriso.
Na carência, sorri tardiamente aos que passam
na sua vida. É momentâneo, não ficam
Mas estranham ao ver que o que deveria fluir, desanda.
Anda pelas ruas fagocitantes. Tenta buscar
momentos em sua memória, voltar ao bom senso,
àquelas esquinas onde tudo fluía. É intenso!
As esquinas parecem envolvê-la. Há a inércia de ficar.
Mas há de voltar. Ruas e esquinas ficam a esperar.
Refúgio! Precisa se refugiar. Inquieta está!
Ao relembrar, contempla o céu. Suplica
às amigas brilhantes que a tragam seu verdadeiro sorriso.
Sem resposta, sente chover. Não há distinção das gotas. É corrosivo.
E os passantes, estranham. Além das gotas, tardio sorriso.
sábado, 23 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Yeah, it wouldn't make any sense at all. Why should I bother trying to do something to call for attention if she wouldn't even notice? There are so many other important or relevant things to worry about. I feel like a dump person just to think about it.
But are you alright?
As I see it... yes. That's an certain answer, it fits:
Most likely yes, how look good, science points yes without a doubt.
But actually... the reply is a little more complicated.
Hazy, try again, ask again later, better not tell you now, cannot predict now, don't count on it.
So... my reply is no. My sources say no. How look not so good, very doubtful.
Very doubtful. Very twisted.
But let's just keep our heads up and maintain the confort of not having to dig this. Easier, however, not so relieving.
But are you alright?
As I see it... yes. That's an certain answer, it fits:
Most likely yes, how look good, science points yes without a doubt.
But actually... the reply is a little more complicated.
Hazy, try again, ask again later, better not tell you now, cannot predict now, don't count on it.
So... my reply is no. My sources say no. How look not so good, very doubtful.
Very doubtful. Very twisted.
But let's just keep our heads up and maintain the confort of not having to dig this. Easier, however, not so relieving.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Pelo preço de sua companhia...
Quem trocaria ?
Tranquilidade. Esplendor?
Por confusão. Incerteza?
Céu. Estrelas.
Sensações afloradas.
Paz. Harmonia.
Céu. Nuvens.
Sensações afloradas. Ou reprimidas?
Vazio. Cinza.
Mas aquele dia. Mudou.
Céu. Nuvens. Raras estrelas.
Imaginação. Risos. Entusiasmo.
Até uma estrela cadente...
Céu. Nuvens. Raras estrelas.
Cobertores. Conforto.
Você.
Até uma estrela cadente...
Trocaria! Estrelas por nuvens.
Quanta ousadia.
Se eu apenas a tivessse ao meu lado.
Trocaria. Trocaria. Trocaria...
Tranquilidade. Esplendor?
Por confusão. Incerteza?
Céu. Estrelas.
Sensações afloradas.
Paz. Harmonia.
Céu. Nuvens.
Sensações afloradas. Ou reprimidas?
Vazio. Cinza.
Mas aquele dia. Mudou.
Céu. Nuvens. Raras estrelas.
Imaginação. Risos. Entusiasmo.
Até uma estrela cadente...
Céu. Nuvens. Raras estrelas.
Cobertores. Conforto.
Você.
Até uma estrela cadente...
Trocaria! Estrelas por nuvens.
Quanta ousadia.
Se eu apenas a tivessse ao meu lado.
Trocaria. Trocaria. Trocaria...
terça-feira, 29 de março de 2011
Satélite
Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
Os astros dos loucos e dos enamorados,
Mas tão-somente
Satélite.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
Os astros dos loucos e dos enamorados,
Mas tão-somente
Satélite.
domingo, 27 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
River of tears
When I read the message that morning, for sure
It brought tears to my eyes
that came down my face
just as melted sugar on a higher temperature;
The sugar... struggling not to fall from the spoon.
The tears... well, they struggled not to fall from my eyes;
they just couldn't be countained.
It was too much happiness, but actually, that was just a white lie.
Instantly, I started to remember the time
when I could hold your hand;
be sure that you are here.
To sit on the sidewalk and
have you by my side.
To sleep and wake up in the middle of the night,
look at you and have that feeling... stability.
Just when I had it all
something pulled me back to reality.
This anchor of a sailing ship.
Guess where he was sailing...
It brought tears to my eyes
that came down my face
just as melted sugar on a higher temperature;
The sugar... struggling not to fall from the spoon.
The tears... well, they struggled not to fall from my eyes;
they just couldn't be countained.
It was too much happiness, but actually, that was just a white lie.
Instantly, I started to remember the time
when I could hold your hand;
be sure that you are here.
To sit on the sidewalk and
have you by my side.
To sleep and wake up in the middle of the night,
look at you and have that feeling... stability.
Just when I had it all
something pulled me back to reality.
This anchor of a sailing ship.
Guess where he was sailing...
domingo, 13 de março de 2011
You know that feeling of emptiness, when you try not to expect anything from anyone, and even then you get so fucked up when it didn't come out the way you wanted? Yeah. That sucks.
Can't really explain all this. Is just so messed up. I shouldn't create any expectations, but is inevitable.
Poor me. I'll just keep on letting myself down.
Can't really explain all this. Is just so messed up. I shouldn't create any expectations, but is inevitable.
Poor me. I'll just keep on letting myself down.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Nel mezzo del camin
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje, segues de novo... Na partida
Nem pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
- Olavo Bilac
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje, segues de novo... Na partida
Nem pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
- Olavo Bilac
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
E depois?
O tempo me tinha,
eu tinha o tempo.
O tempo era um mês
e naquele mês você me tinha.
Agora, mergulhada na solidão
eu penso no tempo;
no tempo que poderia ter sido melhor aproveitado.
Sabíamos que deveria ser algo passageiro,
mas como poderíamos ter qualquer noção
de tempo ou espaço,
se quando estou com você tudo parece tão completo?
O resto parecia desprezível pois
Eu te tinha e
você me tinha.
Éramos eu e você, tentando conciliar
o breve infinito do momento presente,
com o vasto infinito do futuro próximo;
que a cada dia que passava,
nos chicoteava com o impacto da terrível sensação
de que logo tudo acabaria,
de que o nosso tempo se esgotaria.
E aí só na memória ficaria.
Mas eu me continha.
Tentava não me envolver por completo.
Tentava evitar a imensidão do sentimento de falta depois.
Tentei, tentei e tentei.
Mas eu a tinha;
tinha a fórmula.
A fórmula do meu sorriso;
estava simplesmente diante de mim.
Não consigo entender;
não posso entender;
não quero entender!
De uma coisa eu sei:
te quero. Aqui, agora, do meu lado.
Não por um minuto ou por uma hora.
Não por uma noite ou um dia.
Não por um mês.
Te quero por completo, inteiramente do meu lado;
que quando eu quiser te abraçar,
simplesmente poderei te abraçar,
e não esperar angustiada pela próxima vez que nos veremos.
Te quero do meu lado.
Na nossa árvore, no carro, fumando,
dançando, rindo;
olhando as nuvens...
Já ouço os pássaros.
Está amanhecendo;
e você precisa ir.
Mas tudo bem,
eu me conformo
pois ainda hoje nos veremos.
Já ouço os pássaros.
Está amanhecendo;
e eu preciso ir.
E não. Não me conformo
pois vou para longe.
Volto para a rotina.
Volto para a realidade.
Afinal, eu sabia que algum dia acabaria.
Chegaria ao fim.
Só não pensei em como lidar com o depois.
Eis o grande depois.
eu tinha o tempo.
O tempo era um mês
e naquele mês você me tinha.
Agora, mergulhada na solidão
eu penso no tempo;
no tempo que poderia ter sido melhor aproveitado.
Sabíamos que deveria ser algo passageiro,
mas como poderíamos ter qualquer noção
de tempo ou espaço,
se quando estou com você tudo parece tão completo?
O resto parecia desprezível pois
Eu te tinha e
você me tinha.
Éramos eu e você, tentando conciliar
o breve infinito do momento presente,
com o vasto infinito do futuro próximo;
que a cada dia que passava,
nos chicoteava com o impacto da terrível sensação
de que logo tudo acabaria,
de que o nosso tempo se esgotaria.
E aí só na memória ficaria.
Mas eu me continha.
Tentava não me envolver por completo.
Tentava evitar a imensidão do sentimento de falta depois.
Tentei, tentei e tentei.
Mas eu a tinha;
tinha a fórmula.
A fórmula do meu sorriso;
estava simplesmente diante de mim.
Não consigo entender;
não posso entender;
não quero entender!
De uma coisa eu sei:
te quero. Aqui, agora, do meu lado.
Não por um minuto ou por uma hora.
Não por uma noite ou um dia.
Não por um mês.
Te quero por completo, inteiramente do meu lado;
que quando eu quiser te abraçar,
simplesmente poderei te abraçar,
e não esperar angustiada pela próxima vez que nos veremos.
Te quero do meu lado.
Na nossa árvore, no carro, fumando,
dançando, rindo;
olhando as nuvens...
Já ouço os pássaros.
Está amanhecendo;
e você precisa ir.
Mas tudo bem,
eu me conformo
pois ainda hoje nos veremos.
Já ouço os pássaros.
Está amanhecendo;
e eu preciso ir.
E não. Não me conformo
pois vou para longe.
Volto para a rotina.
Volto para a realidade.
Afinal, eu sabia que algum dia acabaria.
Chegaria ao fim.
Só não pensei em como lidar com o depois.
Eis o grande depois.
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