domingo, 12 de junho de 2011

Floresça ou saia, já se passou tempo demais.

Eu quero escrever. Eu quero contar. Eu quero relembrar. Mas faltam-me palavras, falta-me a coragem de dizer que eu sinto falta, que eu queria mais. Fica difícil exteriorizar o que não quer ser exteriorizado. Que na verdade quer, mãs nao sai. Não consegue sair! Saia de mim, sentimento! Não percebe que está me corroendo? Deixe-me lembrar, deixe-me reviver, deixe-me registrar! Se Bentinho conseguiu, se Paulo Honório conseguiu, por que nao hei de conseguir? Se eu começar a refletir, por favor não me interrompa. Impeça-me de suspirar em meio a tanta felicidade revivida. Não me deixe hesitar. Porque é agonizante, dói. Por isso peço-lhe para que saia. Saia de uma vez, que eu já reguei tudo o que tinha para ser regado; ele que teimas em não florescer! Não tá dando mais. A água vai acabando, a vontade de regar vai se esvaindo. Por isso, imploro, para que se há de florescer, floresça logo. O mais rápido que puder! Eu não aguentaria viver com o fato da desistência - desistência não, cansaço. Os argumentos que antes escorregavam, já sentem mais dificuldade de sair com a mesma convicção - o estar tudo bem já não parece mais tão convincente. Tô bem por um lado, não sei pelo outro. Não sei qual lado é maior. Mas já dói o suficiente. Queria achar razões para não estar completamente, inteiramente bem. Acho refúgios, acho ocupações. Assim consigo evitar essa corrosão. Pois eu queria só contar. Eu queria só relembrar. Eu queria só reviver. Eu tento não hesitar. Mas insistes em teimar. Não desaponte os ventos que te trouxeram para mim lá de longe; não desaponte o acaso que te semeou no meu coração. Por isso insisto: se há de florescer, que floresça já! Pois se não florescer, temo que terá de sair, e eu não queria parar de te regar quando a última gota caísse.

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