quarta-feira, 25 de abril de 2012

Tás a ver?


A solidão apavora mas a nova amizade encoraja.
E é por isso que a gente viaja;
procurando um reencontro, uma descoberta
que compense a nossa mais recente despedida.
Nosso peito muitas vezes aperta
...nossa rota é incerta
mas o que não incerto na vida?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

uma carta de aniversário ao meu pai.

Oi pai!
Meio século hein? É, não é fácil não...

Queria desejar que neste dia você esteja com todas as pessoas que te amam e que mais querem seu bem. Desejo toda a paz desse mundo, muita saúde, coragem, e, bom... felicidade é o que todos procuramos; e como você uma vez disse: 'Juntos, é que vamos encontrá-la.' Concordo plenamente com você. Pois de que importa encontrar parcialmente a felicidade; aquela que à curto prazo nos deixa bem, estáveis, iludidos... sendo que quando menos esperamos, algo desaba. E é nesse momento que então percebemos o quão incompletos realmente estamos.

Percebemos também que não são as efemeridades da vida que nos marcam em nossa essência; e sim, as coisas mais simples e verdadeiras - algo como simplesmente tomar banho à luz de velas, ouvindo ao som da estridente e sonora voz de Marisa Monte; algo como jogar bola embaixo do prédio após um dia de aula ou um cansativo dia de trabalho - era uma rotina boa- ; algo como criar caminhos secretos para andarmos de bicicleta brasília afora; algo como jogar tênis e perder todas as bolinhas; algo como você se fingir de prancha para eu e minha irmã surfarmos em plena piscina sem ondas; algo como bater papo no Beirute e pensar que as folhas que caem das árvores são algum tipo de sinal; algo como comer pipoca em um dia de gula extrema; algo como um almoço de domingo; algo como família; algo como eu, você e Isabella.

Não sei se a felicidade pode ser completamente alcançada; são tantos altos e baixos na nossa caminhada que às vezes as pernas fraquejam, mas sempre temos uns aos outros para nos puxarmos para cima novamente. E é assim que acho que construímos nossa felicidade. Simplesmente sabendo o que é verdadeiro e incondicional - não digo também que é fácil descobrir isso.

Mas então, para menos uma futura insegurança, asseguro-lhe de que esse amor é puro, autêntico, incondicional; que não importa quão fundo algum de nós afunde, esforços da minha parte não serão medidos para evitar um afogamento.

Que vivamos nossa vida com muita energia positiva, desfrutando cada momento, não deixando muito pra depois.

Enfim, feliz aniversário!

Te amo, Rafa.

p.s: Não quis ser dramática, mas é que às vezes me expresso melhor pelas metáforas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

mesmo sem saber, inconscientemente, você me dá todas as dicas para que eu entenda que por agora, esse jogo tá perdido pra mim... e eu nem sei fazer nada ou agir por impulso... eu sei o que é isso... já passei por essas mesmas ruas; e se tem uma coisa que eu posso te afirmar é que eu nunca vi tanta tortuosidade e incerteza na minha vida. pior do que o afastamento em si, é o sentimento de impotência que você sente ao pensar que nada pode fazer a respeito dessa distância filha da puta que impede tudo que poderia calorosamente acontecer... é como se você começasse a eventualmente sentir saudade de coisas que nem ao menos tiveram a chance de acontecer. só vai ter uma hora que outra estrela vai brilhar mais que você, mas simplesmente porque você não está lá constantemente alimentando sua luz.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Foi um momento memorável. Todos que eu amava, tinha simpatia, gostava; estavam lá. Segura, em casa; era o que eu sentia. “Sometimes I wanna disappear”. Desaparecer? Não completamente; e sim, sabendo que acharei-os quando eu menos esperar; num momento de desilusão, perdida ou até mesmo andando por minha mais calma e menos tortuosa estrada.

Eu os deixei por um instante por causa de uma certeza. Que pelo menos pra mim, mais certeza que isso era impossível. Fui caminhando, desfilando por todas minhas angústias e me provando um mais novo tipo de liberdade. Algo como transcender em uma clareira sob um banho de lua e universo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Chorar de alegria

Vou te contar uma história então.
Primeiro eu vou te contar como são regidos os instrumentos desta música. Vamos lá:

A obra começa com uma introdução, suave, de uma piano. Um pianinho. Algo bom. Depois o acariciam e ele se torna mais vibrante. E então tudo estava se acomodando quando de repente, entra o violino com o som mais bonito deste universo. Me apaixono por ele. É de se encantar. Maravilhar. O tempo se passa um pouco... Seu maravilhoso som me contagia e me induz a pensar que tudo estava ganho - mas aí entra a minha resposta. Aliás minhas mil perguntas, nunca respondidas. Tudo leva a crer que a serenidade implantada por seu charme não iria se esgotar. Alguém me fala: "Volte para seus trilhos, enxergue por outra perspectiva. Nem tudo é tão simples quanto aparenta."
Resolvo então responder à altura... Se nunca me destes motivos para desencantar, como poderei duvidar? Decido então que não vou duvidar. E olhando por outra perspectiva; desligo a música e começo a contar os fatos da vida real.

Ela entra pela porta, suave, quase flutuando. Olha pra mim - sorri. Sorri muito! Me dá toda a segurança para corresponder seu sorriso. E lá estou, maravilhada por este momento, e esqueço que às vezes posso entristecer - mas isso foi o que se passou pela minha cabeça enquanto sorríamos. O que desenvolveu depois, foi que eu a peguei pela mão e a levei para passear por aquele bosque, o nosso Jardim Secreto. Aquele, feito só para nós, ou quase nós. E ela interrompe minha idealização: "Pequena, temos que conversar..." (Nessa versão, ela realmente me contava; eu não era passada para trás, descobrindo desgraças pelos outros). Sentamo-nos então, estiramos um pano e tudo se acomodou. E naquela serenidade interrupta... "Acho que me aproximei de mais alguém...". "Mais alguém? Legal! São amigos já?". "Não mais só amigos...". Demorei um certo tempo para discernir toda aquela confusão e escolher agir naturalmente. Tentei conversar, fazer minhas intermináveis perguntas - mas, como nem sempre tudo é... Nada me é respondido. Uma grande frustração, impotência começam a florescer. E toda aquela serenidade implorada, querida... Estava se esvaindo. E foi então que sua voz, de tom, mudou: "Mas eu ainda vou sentir sua falta.". "Não! Prefiro que não sintas! Já que, você, foi quem começou a desilusão!". O pior foi o desenrolar de toda aquela decepção. Mas, ouvindo esta música, ela declara perfeitamente a minha emoção de alegria; ao poder ouvir essa música e descobrir essa definição de chorar de alegria! Chorar de alegria por poder parar, pensar, relatar tudo o que me entristeceu; e então, saber que depois, só de alegria, poderia estar chorando - por pensar que podia fazer isso. E se tornava um ciclo vicioso. E tudo se amenizou. Tudo se amenizou.

Heartstrings

E se fosse uma embuscada?

Atrás, nota um cara mexendo em seu celular; pensa: "Só é alguém caminhando..." Mas mais à frente, percebe outro cara de camisa branca quase que atrás de uma árvore. Estranha... Olha para trás novamente e percebe o cara chegando mais rápido. Então pensa: "E se isso fosse uma embuscada? Um crime premeditado, perfeito..." E nessa hora nota que duas pessoas aparecem mais adiante; e ambas olhando para ela.
Prefere então se sentar e escrever sobre isso, do que continuar arcando com uma situação que claramente só se tornava mais tênue. Assim que sentou e começou a refletir sobre o caminho que estava percorrendo, percebeu: quão antes ela saísse, mais ela; algum dia, pararia de acreditar naquilo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Me inspirei

e foram aqueles versos,
aquelas mensagens,
aquelas cartas,
os últimos versos que te escrevi.

mas são estes,
em que canto,
recito,
resguardo,
os versos que ainda estão por vir.

e, ainda, aqui estou;
escrevendo-lhes pra ti,
lembrando como uma vez
sofri.

e estes são os violinos
que ouvi uma vez,
quando olhávamos aquelas estrelas...
naquele céu daquele dia tão memorável.

queria estar com você
na noite em que eu pudesse finalmente
reproduzir esses
violinos.

e estes versos, erroneamente destinados
a você, são os que me fazem
pensar no quão livre pude me sentir agora.

ao pensar que uma vez, eles foram
revolucionários de uma espécie conservadora
de um estilo de época.

e aqui estou,
escrevendo-lhes com a liberdade
que enquanto estive com você
não cogitava a maravilha que ser livre é.

mas nessa insegurança,
que nos regeu durante aquele período,
foi em que me apoiei.

para poder estar certa de que,
já que por um acaso, eu já tenha começado a escrever,
nada voltará a ser como um dia foi esperado.

eu mesma, nunca a tive;
mas sempre quis por ela, ser dela.
mas eu meio que já esperava pelo Vir.

senti muito quando já não o éramos mais.
quando você, fatigada vinha;
e eu, fatigada ia...

de tempos que só se passaram;
e eu estranha para ti fiquei
correndo à procura de uma solução
- sendo que nem solução certa teria.

e esses versos
seguem a melodia que estes maravilhosos
violinos...
assopram em meu ouvido,

quase que sussurrando, que o tempo trabalhará...
e isso vai curar...
ele tem fé que vai...

eu já nem lembro o que é pensar em você
e ter uma boa reciprocidade...
-será que algum dia tive?-
e nessa confusão emocinal fico;

encruada,
pensativa,
julgadora...
de meu proprio eu lirico.

me deixa triste pensar
que por onde passei - aquela estrada tortuosa -,
é exatamente por onde você esta passando agora.

caramba...
como pode sentimento tão ruim quanto esse
existir mais de uma vez?

mas é tudo parte da travessia do vale:
uma crista, várias cristas.
outro vale, vários vales.

mas no final,
tudo tende a se
equilibrar.

às vezes
nem demora
pra chegar.

e quando você menos vê,
longe, você estará...

e 'o esforço pra lembrar
se tornará a vontade de esquecer.'

ousei. ousada - me tornei.
agora arrisco estes versos
que por vez,
os últimos serão.

e assim como um dia cantei,
'me despeço desta historia'
de vez, me despeço agora.



http://www.youtube.com/watch?v=2nuLsEWL_NA