segunda-feira, 25 de junho de 2012
De acordo com o meu querer
Me imagino imersa nas minhas imaginações. Crio meus cenários; representações das minhas vontades. Faço as coisas convergirem de acordo com minhas intenções, meus sonhos, minhas dúvidas, minhas indecisões. Às vezes, como Augusto dos Anjos, puxo e repuxo a língua para falar e nada sai daqueles meus esbanjos. Crio situações que nos encontramos no meio do caminho e damos as mãos, como em Nel mezzo del camin. Olavo Bilac fala: preza às minhas, as tuas mãos. E desse modo, caminhamos por aí afora.
o imaginar de uma situação
Já podia avistar os muros da cidade - muros de uma pessoa resguardada, protegida -. Havia acabado de sair da floresta - ainda falta um grande gramado à frente -. Olho pra trás e vejo meu muro cheio de árvores, vida; forte, verde; lembro do frescor, da paz. Salto de meu cavalo e vamos andando calmamente pelo campo. Deixo-o ir comendo pelo caminho. Ele vai descansando e eu também. Me sinto calma. Quando vou chegando perto dos muros, um vigia, de uma das torres, eleva-se e observa-me aproximar. Ouço o som de um sino e noto o portão se abrindo. Uma moça sai e anda em minha direção. Saúda-me e sorri gentilmente. 'Olá. Enviam-me para te guiar por dentro dos portões.'. 'Oh, agradeço a ajuda, mas sei bem andar por lá.'. 'Eu insisto; ainda sinto que caminharemos bem juntas, cúmplices de algo bom; condenadas pelos desencontros, mas juntas...'. 'Acho que posso aceitar então esse desafio.'. 'Algo te preocupas?'. 'E se por acaso nos perdermos alguma vez?'. 'Creio que nos perderemos algumas vezes...'. 'É isso que temo!'. 'Não, não se preocupe; nos acharemos novamente... se a vida achar isso além do comum, os nossos encontros convergirão. Enquanto caminharmos juntas, boas intenções sempre se sobressairão.'. 'Gosto da minha vontade prevalente. Vamos então.'. Começamos então a andar em direção ao portão, quando ela sugere um caminho, um destino diferente. Algo fora do comum, um descotidiano. Sugiro-a a conhecer meus lados do muro - do meu muro -. E ela fala: 'Claro, os meus são lá também.'.
Poles Apart, when she Take(s) it (all) back.
Acho que esta serve pra você:
Did you know it was all going to go so wrong for you?
Did you see it was all going to be so right for me?
Hey you! Did you ever realised what you'd become?
Did you see that it wasn't only me you were running from?
The rain fell slow down on all the roofs of uncertainty.
I thought of you and the years and all the sadness fell away from me.
And did you know? I never thought you would lose that light in your eyes.
A minha interpretação, na verdade, é:
Você sabia que estava tudo dando tão certo pra você?
Você viu que estava tudo indo tão mal pra mim?
Você já se deu conta do que se tornou?
Viu que não era só de mim que você estava correndo?
A chuva caiu devagar sobre todos os telhados da incerteza.
Eu pensei em você e todos os anos e toda a tristeza saíram de mim.
E você sabia?
Eu nunca pensei que você fosse perder a luz do seus olhos.
Acho que esta outra também:
Her love rains down on me easy as the breeze.
I listen to her breathing. It sounds like waves on the sea.
She could take it back.
She might take it back someday.
Now I had seen the warnings screaming from all sides.
It is easy to ignore them, God knows I've tried.
All of this temptation, you know it turned my faith to lies.
Until I couldn't see the danger or hear the rising tide.
A minha visão:
O amor dela chove em mim ameno como a brisa.
Eu ouço ela respirar, é como o som das ondas no mar.
Ela poderia ter isso de volta.
Ela pode ter isso de volta um dia.
Agora, tenho eu visto os avisos gritando de todos os lados,
é fácil ignorá-los; a Grande Árvore sabe que eu tentei.
Toda essa tentação... você sabe que minha fé transformou-se em mentiras.
Até eu não conseguir mais ver o perigo ou ouvir a maré crescente.
Did you know it was all going to go so wrong for you?
Did you see it was all going to be so right for me?
Hey you! Did you ever realised what you'd become?
Did you see that it wasn't only me you were running from?
The rain fell slow down on all the roofs of uncertainty.
I thought of you and the years and all the sadness fell away from me.
And did you know? I never thought you would lose that light in your eyes.
A minha interpretação, na verdade, é:
Você sabia que estava tudo dando tão certo pra você?
Você viu que estava tudo indo tão mal pra mim?
Você já se deu conta do que se tornou?
Viu que não era só de mim que você estava correndo?
A chuva caiu devagar sobre todos os telhados da incerteza.
Eu pensei em você e todos os anos e toda a tristeza saíram de mim.
E você sabia?
Eu nunca pensei que você fosse perder a luz do seus olhos.
Acho que esta outra também:
Her love rains down on me easy as the breeze.
I listen to her breathing. It sounds like waves on the sea.
She could take it back.
She might take it back someday.
Now I had seen the warnings screaming from all sides.
It is easy to ignore them, God knows I've tried.
All of this temptation, you know it turned my faith to lies.
Until I couldn't see the danger or hear the rising tide.
A minha visão:
O amor dela chove em mim ameno como a brisa.
Eu ouço ela respirar, é como o som das ondas no mar.
Ela poderia ter isso de volta.
Ela pode ter isso de volta um dia.
Agora, tenho eu visto os avisos gritando de todos os lados,
é fácil ignorá-los; a Grande Árvore sabe que eu tentei.
Toda essa tentação... você sabe que minha fé transformou-se em mentiras.
Até eu não conseguir mais ver o perigo ou ouvir a maré crescente.
expressão direcionada
Estava sentada hoje num gramado, numa festa, quando de repente um rapaz chega e pede ajuda para um projeto; ele me dá um papel e uma caneta e pede pra que eu escreva qualquer pensamento sobre amor, sobre alguma coisa do sentimento. Depois iria selecionar as melhores frases e escreveriam pela cidade. Não precisei nem de um pseudônimo; só pensei em coisas já pensadas, já faladas, e fundi tudo em um parágrafo. Quem sabe algum dia, nesses meus passeios por aí em mim mesma, eu passe por algum muro, algum poste e veja o que um dia escrevi; que eu relembre, contemple, suspire, sorria e siga andando. E ah, sabe o que eu escrevi? É só não fazer das despedidas uma despedida, e sim, um próximo encontro, porque quando a distância não acaba, é melhor do que pensar na saudade insaciável.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Um passeio de carro
Consigo imaginar, gosto
de imaginar você no
banco ao lado,
olhando pra rua
enquanto me distraio
olhando você, falsário.
A rua me chama a
atenção enquanto passamos
por esse asfalto;
Essa rua é um bosque.
As árvores e postes
passam falando 'até mais'
da mesma forma
que nós falamos 'até mais'
nos nossos desencontros indesejáveis.
Nos comportamos de forma
consciente; porém, o subconsciente
trabalha de forma contrária.
Me revolto com a não aceitação
dessa situação.
Eu aqui. Você aí.
Eu aí e você aqui.
Os nossos lugares,
aí e aqui,
esperam por nós em qualquer ali.
de imaginar você no
banco ao lado,
olhando pra rua
enquanto me distraio
olhando você, falsário.
A rua me chama a
atenção enquanto passamos
por esse asfalto;
Essa rua é um bosque.
As árvores e postes
passam falando 'até mais'
da mesma forma
que nós falamos 'até mais'
nos nossos desencontros indesejáveis.
Nos comportamos de forma
consciente; porém, o subconsciente
trabalha de forma contrária.
Me revolto com a não aceitação
dessa situação.
Eu aqui. Você aí.
Eu aí e você aqui.
Os nossos lugares,
aí e aqui,
esperam por nós em qualquer ali.
terça-feira, 19 de junho de 2012
make a wish
vontade de contar, perguntar, responder, divagar... eu divago, tu divagas, nós divagamos; rima é o nosso forte.
saí pra andar, sentir o calor do sol me esquentando em meio àquela brisa daquele fim de tarde. resolvi ir na minha árvore, sentar por lá, ficar por ali... sentei-me naquele gramado, fiquei olhando o sol caminhando pelo horizonte, descendo cada vez mais. me deparava com uma paisagem conhecida. aos cantos, os prédios representavam os costões, as montanhas rochosas que envolviam aquele extenso mar. ao fundo, os carros representavam os barcos, navios, navegantes da linha tênue entre o mar e horizonte e céu. me imagino com você, conhecendo minha praia, registrando aquela paisagem; e depois, um dia, no meu, no nosso cantinho, naquele gramado, assimilando as paisagens e lembrando, reconhecendo tudo aquilo, fundindo sensações, explorando memórias, compartilhando alegria.
ô pequena minha, ô destino incerto, ô desencontros da vida... ô teste da minha paciência... quando, de fato, nós seremos nós?
não sei se queria estar pensando nisso novamente. me pego às vezes nesses momentos intrigantes meus de ser, estar, viver aquele momento, esse momento, um futuro momento; a vontade de querer um futuro próximo de nossos encontros se confundem com a realidade da nossa distância, dos obstáculos, dos nossos desencontros. a vontade de ser o que não dá pra ser. a vontade de ter o que não me deixam ter. a vontade de entender o que é difícil compreender. a vontade de achar um motivo pra tudo que devia acontecer não acontecer... a vontade de poder estar com você. a vontade de arrancar essa frustração, essa impotência, de vencer esses empecilhos...
não sei nem se tenho realmente toda essa vontade; já tive essas vontade um dia, hoje, já nem sei mais... já nem sei o que considerar, o que pensar, para onde convergir... por onde seguir... por onde andar... mas vou andando, com toda a felicidade e a satisfação de estar vivendo esse momento com toda a positividade que a vida pode me oferecer; de estar onde estou, de ser quem eu sou.
saí pra andar, sentir o calor do sol me esquentando em meio àquela brisa daquele fim de tarde. resolvi ir na minha árvore, sentar por lá, ficar por ali... sentei-me naquele gramado, fiquei olhando o sol caminhando pelo horizonte, descendo cada vez mais. me deparava com uma paisagem conhecida. aos cantos, os prédios representavam os costões, as montanhas rochosas que envolviam aquele extenso mar. ao fundo, os carros representavam os barcos, navios, navegantes da linha tênue entre o mar e horizonte e céu. me imagino com você, conhecendo minha praia, registrando aquela paisagem; e depois, um dia, no meu, no nosso cantinho, naquele gramado, assimilando as paisagens e lembrando, reconhecendo tudo aquilo, fundindo sensações, explorando memórias, compartilhando alegria.
ô pequena minha, ô destino incerto, ô desencontros da vida... ô teste da minha paciência... quando, de fato, nós seremos nós?
não sei se queria estar pensando nisso novamente. me pego às vezes nesses momentos intrigantes meus de ser, estar, viver aquele momento, esse momento, um futuro momento; a vontade de querer um futuro próximo de nossos encontros se confundem com a realidade da nossa distância, dos obstáculos, dos nossos desencontros. a vontade de ser o que não dá pra ser. a vontade de ter o que não me deixam ter. a vontade de entender o que é difícil compreender. a vontade de achar um motivo pra tudo que devia acontecer não acontecer... a vontade de poder estar com você. a vontade de arrancar essa frustração, essa impotência, de vencer esses empecilhos...
não sei nem se tenho realmente toda essa vontade; já tive essas vontade um dia, hoje, já nem sei mais... já nem sei o que considerar, o que pensar, para onde convergir... por onde seguir... por onde andar... mas vou andando, com toda a felicidade e a satisfação de estar vivendo esse momento com toda a positividade que a vida pode me oferecer; de estar onde estou, de ser quem eu sou.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Adeus borboletas
Eu te amava, sim, não há dúvidas.
Em meu estômago asinhas batiam
com a vontade grande de te encontrar.
Mas você desistiu,
o amor amargou na garganta,
a barriga doeu:
caguei borboletas.
- Caio Augusto Leite
quarta-feira, 6 de junho de 2012
boa noite
qual sua vontade? qual a minha vontade? eu não sei se eu quero que você venha, porque se vier, não sei se quero que fique, não sei se quero que vá; não sei se eu aguentaria. eu me sinto estabilizada, me sinto de bem comigo mesma, com as pessoas ao meu redor; com meu ambiente... não tenho a resposta pra nada, pra porra nenhuma. eu to aqui, e você tá aí. não vejo previsões de mudanças, nunca vi, não sei se quero ver. só sei que algum dia já quis, e agora não sei mais. por que não tem alguém que me diga o que fazer? é difícil pensar tanto e no final não ter conclusão nenhuma; nenhum alívio, nenhuma certeza, só mais e mais angústias. a gente sempre pensa e pensa e nunca fala. podia ser ao contrário, não queria que houvesse esse tipo de insegurança, eu gosto de saber, eu gosto de fazer com que você saiba. a sua vontade não depende de mim, nunca dependeu. 'eu mudei de lugar algumas certezas', pra não me magoar. a sua vontade depende de mim? da gente? não vejo como... eu não sei nem qual é a minha! vamos ser mais sinceras com nós mesmas, estou realmente cansada de ficar selecionando palavras.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
breve transcendência
sento-me com as pernas em cima da mesa, pego o teclado e ponho-o no meu colo. desse jeito fica confortável; quase não dá vontade de levantar pra ir dormir. sei que toda vez que deito a cabeça no travesseiro, ela começa a funcionar a mil por hora. milhões de pensamentos desvairados voam pelos minutos que parecem nunca terminar. até que perco a noção do tempo, deixo meu subconsciente começar a dirigir a história; mas tão superficialmente que começo a conseguir distinguir que pensamentos são reais dos que são puramente utopia. e desse modo começo a tentar a me forçar a silenciar minha mente; conto números, tento enxergar o preto dos meus olhos fechados; acho vultos, curvas escuras; ondulações espectrais; cintilantes luzes que mergulham na escuridão desse mar inacabável de vácuo maciço que minhas frontais células guardam. e a partir daí me deixo imaginar; crio cenários de lugares em que eu queria estar; crio bosques de árvores, caminhos secretos, cipós e raízes, musgos e o frescor do ar úmido. a companhia de alguém indescritível, inalcançável, inimaginável. sigo caminhando pela fantasia que é aquilo de viver o sonho. uma sensação de liberdade inigualável se instala em meu peito e eu respiro profundamente; inspiro enchendo todos os cantos do pulmão, todos os alvéolos realizam a hematose; o frescor renova minha alma; exalo energia vibrante de quem ostenta por sempre mais. entro em completa sintonia com aquele ambiente ameno; passarinhos cantam; a água de um riacho corre perto; resolvo sentar-me em uma grande raiz; me aconchego, olho para o céu por entre os galhos; os raios de luz entram por entre as folhas, batem em minha pele; me sinto calma. me permito continuar na inércia daquele conforto. fecho então os olhos e finalmente calma, enxergo a escuridão que me saudou tão calorosamente. me concentro em minha respiração e vou relaxando cada músculo de meu corpo; tento sentir todos os pontos de contato de meu corpo com o solo, até que, transcendendo, desprego-me dessa materialidade e viajo por um fluxo inconstante das minhas vontades que me completa ao extremo.
http://www.youtube.com/watch?v=f2Fh-8VP74g
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