segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Virou rotina
Olho para o teto e vejo a luz do poste entrando na sala como a luz da lua. Elas se misturam e eu deito aqui para olhá-las. Peço para que minha admiração pela lua seja o suficiente para que sua luz me dê forças. Ouço a música alta, muito alta para que meus ensudercedores pensamentos se misturem com a melodia da música e tudo fique tão alto que não dê para distinguir.
sábado, 27 de agosto de 2011
O que dá pra fazer... Não se pode esconder...
O que dá pra fazer.... Não se pode esconder. Todos queriam a novidade de acordar sem um bom dia de você. Se é bom ou ruim... Brilho do mar, tempestade pra refazer... se faz bem ou mal, nao queria entender. Todo mundo me mostrou, eu é que me fiz ensurdecer. Tudo se tornou claro aquele dia; veio tudo à tona quando me despedi e sentei na rede. Descansei com meu cigarro enquanto minha mente padecia num estalo. Era a hora de parar, acabar. Não feito isso, agora resta estancar. Grande ferida que a cada momento que tento remediar, sinto um frio vindo das profundezas de tamanha decepção que veio a se tornar. E o tempo... Estou dando tempo. Estou deixando-a respirar, estava cansada de sufocar. Vejo isso agora, mas na rede, olhava o céu enquanto involuntárias e intermináveis gotas marcavam meu rosto cheias de esperança e descontentamento. Queria eu, nao ter sabido adivinhar, um pouco de imprevisibilidade teria-me feito caminhar. E eu esperei, e as intermináveis, sao agora raridade. Parece que não sinto nada, nem riso, nem vontade de chorar, e então tudo se resume a relembrar. Pena que é com tanta frieza... Me traz tristeza. Solidão... Amarga solidão que se manifesta nessas noites escuras sentada ao chão da sala sentindo a brisa do vento por entre as frestas da janela. Lá fora brilham os astros, brilham as luzes da cidade, brilham as memórias no meu coração. Tudo que peço é por uma mão. E é chato, por mais que meu dia tenha sido ocupado por coisas boas e as simplicidades de olhar para as árvores das ruas e ouvir músicas no ônibus e sentar nas calçadas e encostar no museu, aqui estou eu... Ao me contornar afim de evitar, fico à margem de mim mesma. Tempo... A tempestade no mar desse período vai acabar. Talvez continue, só preciso achar algo para me estabilizar, equilibrar. Preparo para me ancorar. Tempo... O brilho do mar vai voltar.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Aqui as ruas me faltam.
"Tempo de recomeçar.
Solidão eu já vivi,
na cidade que não volta.
Todo meu amor até
impossível de se dar.
Tarde de se andar a pé
na cidade que não volta..."
Na cidade cujas ruas me acalmam,
a beleza é tanta que chego a estremecer.
Ó noite estrelada, ando para espairecer,
pois os ventos e postes de lá me aclamam.
Ando por aqui a contemplar o dia.
As simplicidades constroem em mim
devaneios de uma alma cheia de mania.
Como ver um oasis, me liberto do que é ruim.
Ouço aqui, cada passarinho; o sol
é amarelo. Sinto cada brisa
do vento que me avisa:
"Volte com seu listrado cachecol!
Ruas e postes estão a te esperar."
É... pra lá que vou voltar!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Fora da ilusão, a espera é solução.
Estou irritada, sufocada. Me falta ar.
A natureza vaga de tuas ações me repugnam.
Tuas palavras - cheias de destreza - me convidam
a um jogo capcioso. Não quero jogar.
Tuas traiçoeiras palavras plantam com facilidade
a esperança que fica a espera do semear,
protagonizado por tuas ações que deixam a esperar.
Até a criança iludida discerniria melhor a realidade.
Fiquei estática por muito tempo; a espera se arrastava.
Mas finalmente me despeço dessa história.
"Liberdade, tranquilidade, novidade"... Ela murmurava.
Sentava-me por entre as folhas e galhos da minha árvore
e ficávamos ali, a observar o fim da tarde. Satisfatória
companhia que me acolhia com grande saudade... Ah, minha árvore!
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Credo
Não se olha uma peça de teatro como um quadro,
pelas emoções estéticas que elas proporciona,
mas a gente a vê concretamente.
Eu não tenho cânones estéticos,
não me sinto ligado a nenhuma época do passado,
elas me são desconhecidas e não me interessam.
Sinto-me apenas profundamente engajado em relação
à época em que vivo e às pessoas que vivem ao meu lado.
Creio que um todo pode conter lado a lado barbárie e sutileza,
tragicidade e riso grosseiro, que um todo nasce de contrastes
e que quanto mais esses contrastes são importantes,
mais esse todo é palpável,
concreto,
vivo.
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