quinta-feira, 8 de setembro de 2011
E era um pássaro pairando sobre as águas de um oceano qualquer
Abriram as possibilidades. E se via ali olhando... O ir e o vir, o ser e o estar, o pensar e o sentir. Já nem sabe o que é sentir, o que é distinguir, se vai ou se fica, se é ou quer estar. Houve fragmentação, desfragmentação, por um período até que bem prolongado. Não acabou, não vai acabar; vai sempre se desfragmentar, mas nesse momento se via ali... no espaço, solto, pairando, observando, esperando, analisando, encaixando, supondo, propondo. Propondo... e propondo, propôs a si mesmo: mergulhar de vez, pegar o peixe e viver sobre aquela satisfação passageira, que logo passará quando tentar sair da água e não conseguir voar por causa do óleo impregnado em suas penas...? Ou pairar e ficar na inércia do contentamento? Ou ir e se libertar? Pensa nas possibilidades; cria situações hipotéticas; tende. Pensa no positivo e no negativo, mas tende pro tanto faz. Pensa no futuro, no movimento das coisas, no fluxo que rege o ir e ser das coisas... e tende a nada. Pondera sobre o que será, para onde irá... Mas tende a só ponderar e ponderar. Olha então para o passado. Sente um súbito aperto e perde força nas asas, quase perde o equilíbrio, está quase caindo. Repulsa, decepção, estagnação. Não viu mudança, não consegue ver a mudança, não provaram-lhe a mudança. Mas volta àquele momento em que está se perdendo, e algo o puxa de volta; algo o põe de volta nos trilhos e não fraqueja. Seu algo, sua razão começa a fazer sentido, cala o que bombeia vida por entre suas veias e o puxa de vez. Volta a pairar, e se vendo naquela situação de observar, analisar, esperar, prefere de uma vez por todas investir em seu bem estar. E põe suas asas para voar. E voa. Livre, leve solto. Preso somente num fluxo confiável de suas próprias vontades.
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