domingo, 19 de fevereiro de 2017

nem nada

o grau de uma desilusão
desta, a   minha
um   ato      falho
um grito  
                                             que arranha sem pesar
o escrever no escuro
fecho os olhos e sito o atrito da
minha mão no papel invisível
não visível
                            o arrastar da caneta
o arrastar do sentir

qual é esse teu direito de se fazer
ouvir e não saber escutar?
nem se dispor

dá um tapa nos
meus ouvidos, me esurdeça logo.
já não tenho mais orelha pra te escutar
nem boca pra te sentir nem coração
pra te tocar nem um respiro pra soltar.

19.02.17  00:48

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

30.01.17 23:54

mais uma noite
e faço promessa de escrever meus sonhos,
delírios, campos de batalha,
repreensões acometidas
e suas formas incertas no limbo das infinitas dimensões. tudo dentro de uma coisa só, mistura de cosas do meu dia; noite que filtra os ingredientes da peripécia, que esqueço, quase tudo, toda noite.
o chamado pra interpretação ainda me abala. gradualmente vou conhecer esses abismos que mergulho. a sensação é de ter mergulhado de cabeça, em quadra livre, quando de repente, me deparo com um cenário. onde geralmente estou em primeira pessoa. corredores de cerca viva que vão até onde vai a vista, morte num caixão circular, casebres de madeira, florestas tropicais gigantes, rio gigante, tom sépia avermelhado dos morros do chapadão, a vista à luz do sol que se põe, morros vermelhos. sensação de quando se migra para a realidade. dúvida em distinguir.
o que de
outrora
fora
subjugado

a porta que
bate do
 portão do
 prédio
 na madrugada
deserta

só se
escuta as
amendoeiras
derrubando
seus frutos
que batem
nos tetos dos
carros, no
chão.
a gata branca
que esquece
a língua pra
fora, que nem
a minha, a cinzenta.

eu penso no dia
aquele que não é
claro. aquele que
faz barulho quando
podia ser silencioso.
o que é isso que arrasta?
que treme?
(que é como essas bocas
carnudas)
aquilo que toca, desanda.
aquele que vive, quieto ficou.
àquela que convém, meus pesares,
pela minha perda. nenhum/nada
resguardo. claro, é o que escolho
dentre todas as felicidades e desgraças.
sem exagero. as felicidades e
infelicidades.
ao que esfria.
ar que resfria. lençol pelado.
vozes. lembro quando dormimos e
eu te sentia, suas mãos, meu corpo,
calor respiração no pescoço,
meio da noite, meio das cobertas,
dia frio, última manhã.
não soube dizer se era sonho
ou se aconteceu.
quantos seriam como esse dia?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

04.02.16
quanta angústia se arrasta, me sufoca, enche uma maré de tristezas que beliscam no mais ínfimo âmago meu.
quanta insegurança pra me fazer sair desse poço de circunstâncias circulares? mesmices...
tô fora da minha órbita. algumas aflições vêm como algum pressentimento de um inevitável postergado quando o fôlego não preenche suficientemente .quando alguém revira minhas vísceras e sinto embrulhar, e sinto amargar, e sinto puxar, e me arranca como um fio encerado que me rasga por dentro.
tenho perdido a força em alguns momentos... o cérebro se desliga dos meus membros e a cabeça passa a sentir tudo. anestesia-se o meu corpo. não sinto o tato com o ar. não sito o vento que bate nas mãos. penso em movê-las. mão que me afagaria. mão que me afagastes. por que não? só um afago? “queria um afago seu... dorme bem”. se eu não sinto, como dizer que sinto? se eu sinto, como dizer que não? essa época do ano poderia ser mais esclarecedora; não foge à regra da esquisitice do mal estar do engastalhado preso na garganta. quanto tempo eu tenho ainda até realizar o quão sem volta estão as coisas? quanto tempo ainda tenho até saber que se eu respiro muito fundo, suspiro falhado, olho molhado....
“ânsias que meus olhos, para dentro davam em escuro”
saber que se eu respiro muito fundo, respiro falhado, olhos molhados.

05.02.16
passa uma hora. passam duas horas, passam três horas, passam quatro horas, passam cinco horas, passam seis horas. olho para o teto branco, queria que minha cabeça tivesse o mesmo conteúdo do branco de uma parede. o nada. o silêncio.
quem perde? eu
quem se isola? eu
o ventilador é o que move alguma coisa nesse quarto. sinto seu vento e seu frescor é o que me distrai.

hoje, achei que teria que ir... mas para onde? como?

encurta-te novamente

tenho saudades da época quando saía do trampo e só tinha que calcular a pedalada pra subir na árvore antes do pôr do sol (várias das vezes pensando em você...) ou quando comentei com v0cê, dirigindo por aquela estrada escura onde só se via os olhos de gato brilhando longínquos e a velocidade que os tornava amarelos pela proximidade que o farol iluminava (a luz dos freios, os tornava vermelhos, reluzentes vermelhos olhos de gato que corriam em direção à escuridão que o carro deixava pra trás). apagara a luz dos faróis e nada mais se enxergava além das estrelas que multiplicavam os céus e a silhueta negra das árvores pela penumbra que a luz da cidade ofusca do céu: “já tenho saudade desses últimos cinco dias, porque eles nunca voltarão...”. triste comentário... já passei por isso tantas vezes, as pessoas que se vão... só se vão... quando reparo, quando percebo, já não mais as respiro, as sinto, as lembro. às vezes - arrebatam-me – arrebata-me um ensurdecimento e não consigo controlar os giros que minha mente faz pelas memórias, pelas lembranças, pelas palavras, por onde passamos, trinta segundos a mais para adiar a subida no avião, um minuto a mais até o ônibus chegar, pelos dias que não voltam mais, pelo carinho no rosto que não volta mais, pelas noites frias que dormimos (juntas), pelos abismos que ainda me encontro reerguendo-me, escalando-me, pelos momentos em que escrevo e ainda penso em ti. pelas coincidências que ainda vejo e miro em você e penso em você e desejo estar com você. é platônico como nada poderia ser. como tudo poderia ser. eu subia aquelas ladeiras antes da rua padre Agostinho e depois dela, indo para o escritório ou indo te encontrar pro último café no parque. a chuva garoa que veio depois, de um encontro tão frio, de tão poucas palavras, de tantas últimas lembranças, de tão poucas lembranças, nem de um toque... sentávamos na beira daquele riacho, naquela grama úmida, a garoa ameaçava começar, o dia estava frio, usava luvas, os casacos bloqueavam o vento, a calça pedia por outra... porque nunca tenho nada a dizer? até certo ponto tenho tudo a dizer, tenho tudo a comunicar, quero destrinchar, quero esmiuçar, as cartas precisam estar abertas na mesa para discutí-las.  tive tudo para dizer, juntei tudo que tinha e pedi pra tentar de novo, pra desconsiderar a queda que eu tinha tido, que me arrependia de ter terminado... não dava mais... queria mais um dia, um acerto a mais... 
por que reticências não é mais como “................................................”?
o silêncio antes de conseguir exteriorizar pode ser grande, devastador, inquietante. vazio.
permeiam-me dúvidas
permeiam-me incertezas
não se você me curte, se me gosta, se ainda me ama. pelas suas palavras, sinto que não é isso. mas me instiga, me alça como uma isca, se ainda é motivo o suficiente só me desejar. ou se me basta. te basta me desejar? não queria que me incomodasse. como se fosse uma cobrança. me tiro qualquer direito de me colocar na situação de quem te poda, que te faz me dever satisfação (qualquer, nenhuma, mentiras, falácias ou verdades), que te faz deixar de ser natural com aquilo que tu sentes. mas eu aprendo, constantemente, que preciso ser verdadeira com meus sentimentos; com minhas percepções reais e meus desconfortos; com a distância da mente, da dedicação, do carinho, do sexo, do cortejo, do desejo, do abraço durante a noite. palavras que lhe saem facilmente da boca não compactuam com seu desleixo. não queria ter que pedir, como que cobrar, como que reivindicar, como que não soar paranóica? como não sentir ansiedade aguda? pela mente que se perde nas especulações infortunas. como que não...? eu peço desculpas pela minha escrotice, indelicadeza? não consigo me expressar calorosamente se só sinto frio; é um sentir brando, de cor da luz cinza que fica nos apartamentos uma vez que o sol já se pôs; [ mas que acompanha uma carga que sempre vem à tona – querendo ou não] mas que me embebe de ansiedade ansiedade ansiedade ansiedade ansiedade;
quase falei “volte quando voltar” quase completei “ e fale comigo depois de um tempo, sem me avisar mais se atrasa um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez dias”. as horas continuam passando. puta merda. o tempo. os dias, dez, onze, quinze, dezessete, vinte, vinte e um, vinte e dois, vinte e três passaram. despejo uma parte nisso aqui agora. em algumas horas de um dia. 1 dia. um dia. a mais ou a menos. que importa? só a distância dirá

só a distância que não desvenda o encurtar-se novamente.



12.07.2016  22p.m - 1:20a.m