domingo, 19 de fevereiro de 2017

pega. esmaga.
aquela esquina que
cantamos odara. contorce
o monte vento que sopra
essas palavras ardilosas,
esses cantos bailáveis,
minha silhueta de dor.
("ela é uma rata!")
e é. e é. e é!
cântica morada.
consistência viscosa.
cai se grudando pelo ar.
se pudesse, cairia
na direção contrária
imagino um pote
grande
  de caramelo bem
    dourado. afundo o
   dedo   o espaço em
   volta preenche de
    doce de melado

dum nadar não sair do
lugar. dum mexer os
dedos e não os mover.
de pressionar    morder os
dentes e engolir. seco,
que estala no ouvido.
o armado não foi comigo.
as corredeiras que formaram,
pelas quais passava meu sangue,
minha seiva   esta seiva que
transforma não ----- permanece.
os vales profundos,
as cachoeiras de dentro
da gruta, o asfalto da
subida que não tem
atrito com o pneu
careca. som das
andorinhas mergulhadoras
que vem   voam  desde aonde a vista alcança
até cruzar a árvore logo em frente
para entrar de ângulo na sua caverna.
movimento retirada no fim da luz
os últimos segundos
de raios, escorrego meu pé na pedra,
sentada,
me imagino caindo.

08.02.17     2:18 a.m

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