domingo, 19 de fevereiro de 2017

nem nada

o grau de uma desilusão
desta, a   minha
um   ato      falho
um grito  
                                             que arranha sem pesar
o escrever no escuro
fecho os olhos e sito o atrito da
minha mão no papel invisível
não visível
                            o arrastar da caneta
o arrastar do sentir

qual é esse teu direito de se fazer
ouvir e não saber escutar?
nem se dispor

dá um tapa nos
meus ouvidos, me esurdeça logo.
já não tenho mais orelha pra te escutar
nem boca pra te sentir nem coração
pra te tocar nem um respiro pra soltar.

19.02.17  00:48

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