quarta-feira, 13 de julho de 2016

encurta-te novamente

tenho saudades da época quando saía do trampo e só tinha que calcular a pedalada pra subir na árvore antes do pôr do sol (várias das vezes pensando em você...) ou quando comentei com v0cê, dirigindo por aquela estrada escura onde só se via os olhos de gato brilhando longínquos e a velocidade que os tornava amarelos pela proximidade que o farol iluminava (a luz dos freios, os tornava vermelhos, reluzentes vermelhos olhos de gato que corriam em direção à escuridão que o carro deixava pra trás). apagara a luz dos faróis e nada mais se enxergava além das estrelas que multiplicavam os céus e a silhueta negra das árvores pela penumbra que a luz da cidade ofusca do céu: “já tenho saudade desses últimos cinco dias, porque eles nunca voltarão...”. triste comentário... já passei por isso tantas vezes, as pessoas que se vão... só se vão... quando reparo, quando percebo, já não mais as respiro, as sinto, as lembro. às vezes - arrebatam-me – arrebata-me um ensurdecimento e não consigo controlar os giros que minha mente faz pelas memórias, pelas lembranças, pelas palavras, por onde passamos, trinta segundos a mais para adiar a subida no avião, um minuto a mais até o ônibus chegar, pelos dias que não voltam mais, pelo carinho no rosto que não volta mais, pelas noites frias que dormimos (juntas), pelos abismos que ainda me encontro reerguendo-me, escalando-me, pelos momentos em que escrevo e ainda penso em ti. pelas coincidências que ainda vejo e miro em você e penso em você e desejo estar com você. é platônico como nada poderia ser. como tudo poderia ser. eu subia aquelas ladeiras antes da rua padre Agostinho e depois dela, indo para o escritório ou indo te encontrar pro último café no parque. a chuva garoa que veio depois, de um encontro tão frio, de tão poucas palavras, de tantas últimas lembranças, de tão poucas lembranças, nem de um toque... sentávamos na beira daquele riacho, naquela grama úmida, a garoa ameaçava começar, o dia estava frio, usava luvas, os casacos bloqueavam o vento, a calça pedia por outra... porque nunca tenho nada a dizer? até certo ponto tenho tudo a dizer, tenho tudo a comunicar, quero destrinchar, quero esmiuçar, as cartas precisam estar abertas na mesa para discutí-las.  tive tudo para dizer, juntei tudo que tinha e pedi pra tentar de novo, pra desconsiderar a queda que eu tinha tido, que me arrependia de ter terminado... não dava mais... queria mais um dia, um acerto a mais... 
por que reticências não é mais como “................................................”?
o silêncio antes de conseguir exteriorizar pode ser grande, devastador, inquietante. vazio.
permeiam-me dúvidas
permeiam-me incertezas
não se você me curte, se me gosta, se ainda me ama. pelas suas palavras, sinto que não é isso. mas me instiga, me alça como uma isca, se ainda é motivo o suficiente só me desejar. ou se me basta. te basta me desejar? não queria que me incomodasse. como se fosse uma cobrança. me tiro qualquer direito de me colocar na situação de quem te poda, que te faz me dever satisfação (qualquer, nenhuma, mentiras, falácias ou verdades), que te faz deixar de ser natural com aquilo que tu sentes. mas eu aprendo, constantemente, que preciso ser verdadeira com meus sentimentos; com minhas percepções reais e meus desconfortos; com a distância da mente, da dedicação, do carinho, do sexo, do cortejo, do desejo, do abraço durante a noite. palavras que lhe saem facilmente da boca não compactuam com seu desleixo. não queria ter que pedir, como que cobrar, como que reivindicar, como que não soar paranóica? como não sentir ansiedade aguda? pela mente que se perde nas especulações infortunas. como que não...? eu peço desculpas pela minha escrotice, indelicadeza? não consigo me expressar calorosamente se só sinto frio; é um sentir brando, de cor da luz cinza que fica nos apartamentos uma vez que o sol já se pôs; [ mas que acompanha uma carga que sempre vem à tona – querendo ou não] mas que me embebe de ansiedade ansiedade ansiedade ansiedade ansiedade;
quase falei “volte quando voltar” quase completei “ e fale comigo depois de um tempo, sem me avisar mais se atrasa um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez dias”. as horas continuam passando. puta merda. o tempo. os dias, dez, onze, quinze, dezessete, vinte, vinte e um, vinte e dois, vinte e três passaram. despejo uma parte nisso aqui agora. em algumas horas de um dia. 1 dia. um dia. a mais ou a menos. que importa? só a distância dirá

só a distância que não desvenda o encurtar-se novamente.



12.07.2016  22p.m - 1:20a.m 

Nenhum comentário:

Postar um comentário