sexta-feira, 8 de março de 2013

Pensei no banho

Estive pensando agora no banho o quanto eu gostaria de - calorosamente - compartilhar o alívio que percebi estar sentindo. Nada mais nada menos que estar de férias, ter completado meu primeiro semestre na universidade. Mas nada disso você viu, nada disso eu vi também. Você não me vê mais. Eu não te vejo mais. Me pergunto se algum dia você chegou a entender meu olhar. Você vinha sempre tão cheia de dúvidas, se frustrava porque não conseguia me decifrar. Não digo que não sentia o mesmo...
Sentei no chão e deixei alguns sussurros e algumas lágrimas se esvaírem...
Prefiro então, deixar qualquer pensamento no banho. Estender qualquer coisa à você de novo seria um erro tão cego quanto estúpido. Mais persistente que algo que gruda. Persistentemente cego.

Persistentemente esse sussurro lá de dentro vem como uma maré.

quarta-feira, 6 de março de 2013

down to the shoreline,





                            the moon is a cold light.


















                                                                           there's a pull to the flow...

sábado, 2 de março de 2013

uma harmonia


eu tenho um elogio pra te fazer um dia
eu tenho algo pra desabafar,
algo pra reclamar
algo que me faça acordar
e te olhar.

eu tenho algo pra te mostrar
para renovar sua concepção sobre eloquência
te fazer caminhar
me acompanhar
nesta grandiosa iminência.

o choque
as duas personalidades
as estrelas
duas bocas
um beijo - muitos.

uma respiração densa
exalamos fumaça
a música na minha cabeça
o toque na cintura
o afago da tranquilidade.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

e eu, que um dia
já tive visões tão otimistas sobre
duas pessoas vivendo realidades
tão distintas; separadas pela distância...
apenas pela distância.

e eu, que já cheguei a achar
que um motivo maior
manteria a integridade em meu ser;
de viver, ser, estar, sentir.

e me vi traída
pela única coisa
que achava ser a chave para me manter
o mais perto possível;
apesar da distância.

hoje, não sei. já não sei.
como compartilhar realidades tão afastadas?
como se apoiar em certezas tão indefinidas?

(e eu não escrevo isso para ninguém; ou pensando em alguém. apenas tomo como base parte dos meus pedaços deixados por aí)

sem querer subestimar as pessoas...
ou a mim mesma...
só sei das coisas que me foram mostradas.
me conforto por saber que existem oportunidades.
realidades estão por aí.
e meu tempo não requer pressa.

uma viagem pós viagem

eu dormia com a mente naquele estado confuso entre a realidade e sonho a um milésimo de segundo distantes. já era de manhã quando me deitei. eu sentia o clarão toda vez que batia um vento e a cortina voava. entrava luz pela fresta da janela. me via diante de um horizonte perfeitamente panorâmico. e no instante em que a cortina voava, tudo se misturava. eu sentia a claridade nos meus olhos e o sol me saudava no horizonte fazendo com que minha ilusão se resumisse a um feixe de luz que tomava conta de todo o meu campo de visão. o sol amarelo, forte, cheio, aparecia no meio e um grande raio saía pelos lados. ia se afinando conforme ia chegando no limite da paisagem. se eu pudesse colocar de forma mais clara... um batimento cardíaco! o sol aparecia como um único e firme pulso e sua vibração ia se disseminando pelo feixe de luz que se tornava cada vez mais tênue nas extremidades. eu respirava e o feixe diminuía. e isso se repetiu. senti o sol nascer em mim. senti em cada ponto. aguda.