algo como uma súbita realização de que as origens do que já me quebrou podem ter sido esquecidas... mas não a sensação.
perceber que eu tenho curiosidades mas não sei se quero saber respostas; é um indicativo.
pressionar as pálpebras e tremer o pé enquanto exalo a respiração e pressiono meu abdômen.
o olho que vai sendo umedecido e a visão vai se tornando turva.
passo a mão por meu cabelo, esquivo a cabeça. se eu pudesse entrar em minha mente, eu estaria apertando meu cérebro.
me dá vontade de chorar.
eu choro porque me confundo nas minhas próprias aparências.
o que é isso que parece e não transparece?
e que é isso que me parece e não me é?
e de onde ressurgiu esse aperto tão fodido?
eu tenho pavor de me sentir impotente de novo.
'não é possível! até no sonho era inalcançável!
nem acordar queria... nem sonhar queria...
a frustração era grande diante de tamanha impotência.
foi tomada pela melancolia.'
me dá vontade de sumir, às vezes...
mas o que é?
é medo de saber?
é medo de perder? (perder o que pode nem ter sido)
(o que não foi. o que não teve chance de ser. o que foi anulado.)
é o medo?
eu queria saber como teria sido se eu não fosse tão seca desde tão cedo.
fico tentando descobrir ou levar minhas memórias ao momento em que me abati.
eu falo pra mim mesma 'você é doida!'
e já cheguei a pedir... 'não me ache louca...'
quantas antíteses
quantos paradoxos
me constroem?
me são?
talvez, todo o questionamento seja retórico - a exteriorização dele.
aconteço em ciclos. visíveis. retratados. revividos.
tenho medo de previsões.
mas me é impossível não prever.
e se eu disser que eu faço de tudo pra evitá-las...
e mesmo assim, pesa na minha cabeça?
e de quantas certezas eu preciso pra tornar as incertezas irrelevantes?
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