segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Obra 1

ouvindo a esses instrumentos serem afinados, comparo essa mistura de sons dissonantes à difusão dos meus pensamentos nesses dias que se passam. sou, aliás, era, relutante a algumas ideias; mas numa melhor avaliação dos fatos que compõem essa realidade, consegui diminuir, aliás, parar as esperanças. de alguma maneira, as coisas começaram a ser coordenadas de forma ordenada. uma sincronia vai se acertando. mal posso ouvir. é muito sutil. parece muito distante. mal consegue-se determinar as notas; no fundo, parece algo fora de escala. mas de repente, algo mais vibrante, mais forte; quase que um uníssono, vai caminhando por esse mar de ondas sonoras reversas. se transforma em uma intensidade branda que aumenta conforme o maestro rege, de corpo e alma, os atuantes desta obra. tudo vai ficando alto e mais alto e suas mãos sobem, fica na ponta dos pés; ergue seus braços enquanto vejo os arcos dos violinos para cima e para baixo, transmitindo um som profundamente marcante. e então cessa.

e o som volta a ficar baixo, desconfortante, enigmático. por fim, o ruído vai se dissolvendo no som do nada - do som da minha cabeça.

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