o dia se acaba em meio a um horizonte límpido com uma imensa manta de cores quentes - um rosa no fundo pintado com listras laranjas. a luz dos postes ofuscam a vista preparada para este dia. sinto uma oportunidade se esvaindo diante dos meus olhos; sinto-a escapando dos meus dedos. sem a iniciativa - coragem -, parece algo intangível. algo que se comporta como uma fumaça. eu vejo seu movimento, sua trajetória e quanto tento tocá-la, ela se camufla com o ar. se dissolve na imensidão de dúvidas e inseguranças que me circundam. se eu só tivesse a coragem... sinto que não é a hora de começar a andar e não olhar pra trás. sinto que estou deixando isso desaparecer. como vou saber se minhas oportunidades não são intocáveis?
eu me sinto angustiada e penso demais. não sei distinguir quais pensamentos são movidos apelas pelo momento e quais são recorrentes. penso que penso que penso demais. porque por mais convicta de mim mesma eu esteja no momento de tomar alguma decisão; no fundo, bate a dúvida sempre. e quando passa o momento, não consigo saber o que considerar, o que deixar pra lá. por dias, acordei pensando que fazia parte - a insegurança; o não saber o que é 'certo'; o que está nos trilhos. (penso também que o meu desconforto com a situação atual me move na direção de tentar deixar as coisas mais bem resolvidas...). os minutos vão passado e eu não vejo previsões de me encontrar. então eu penso... penso... as coisas andam em um ritmo. às vezes, não saem do modo que eu quero, não caminham no mesmo ritmo que eu; mas nem por isso deixam de caminhar. mas eu não dou tempo, nunca tá bom pra mim. sempre é demais, ou de menos...
admito que depois te der conseguido exteriorizar algumas ideias, me sinto aliviada. respiro melhor ao ter conseguido achar o problema ou a angustia que vinha me deixando inquieta. admiti que não estou dando tempo ao tempo, que as coisas não tem que sair prontificadas na hora que eu quero. admiti que não dei o meu melhor... - ainda não consegui. nem sempre as pessoas estão no mesmo patamar, nem sempre é a hora.
sinceramente, me assusto ao pensar que nem um sentimento é capaz de fazer as coisas convergirem para aquilo que a gente quer, ou que pensa que quer... o que eu quero?
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