terça-feira, 29 de março de 2016

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28.03.16 domingo à noite  00;37a.m
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esvazio a cabeça
esvazio a tentativa - de esvaziar a cabeça -
de me esvaziar.

acompanho todos os agudos da música
(aMY, como falastes... me deito em sua música...)

ainda perdura a mesma inquietação - minha -
em extrair do ar e transcrever para as concretudes de algumas palavras.
   já não penso em algum, qualquer momento, que seja, em que não me deflagro sobre as infinitas visões que se pode ter ao se juntar uma palavrinha aqui, outra ali... às vezes me pergunto, quanta paciência acumulada até me consumir - cada pedaço... cada fragrância, cada...

    por saber das outras profundezas, já não sinto sem pensar nelas...
passo os dias sozinha - comigo. vou me preenchendo.
como sempre, tenho medo...

um dia já acessei mais.
por que sempre quero mais?
e todos os objetos?
   e vestígios?

seria tão mais fácil escrever se eu estivesse me comunicando com alguém, discorrendo ideias concretas. como concretizaro abstrato que perpassa minha mente?
  por que me livro de tudo e todos?
     que justificativa escrota. nem é...

preciso dedicar minha energa naquelas coisas... sem preocupações, pressões, pensamentos inacabados sobre meias ideias erradas... preciso me fazer algumas perguntas com bastante frequência. as básicas... quanto eu vivo de memóricas? quando percebo qual é o momento em que crio uma memória?

saber das inevitáveis mínimas que me fazem... o mínimo... aguda respiração
acesso tantas outras...

andando em cima da calçada na XV de novembro

balançando na rede do puxadinho, a única acordada, lucky strike na mesa de jardim, o piso da varanda molhado, a chuva caindo, o barulho que o gancho da rede fazia, pressentimentos que já havia decifrado, as lágrimas por antecipação...não foi diferente. como poderia ter sido? poderia? quando não me perguntarei essas coisas?... (é o que tenho acesso...)

a parede branca imensa e dura e áspera da Igreja que desemboca no largo da ordem, suas escadas latejavam aquele dia. frio, o chão escorregadio, garrafa de vinho, andar largado, andar evasivo, pedaladas evasivas, passeios no carro, vazios.


29.03.16 segunda à noite 1:48 a.m

a lua já está alta no céu e continua amarela
a vejo por entre os galhos e as folhas agulhadas do pinheiro negro nesta noite escura amarela de lua.
ao redor, nuvens pbrancas opacas mergulhadas no manto - de - contraste.
a vista mais urbana dessa cidade. dois prédios: um cilíndrico que se fantasia de vela nas comemorações natalinas e outro mais alto, preto, visto de cima, paralelepípedos que se cruzam perpendicularmente no meio.

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