segunda-feira, 4 de junho de 2012

breve transcendência

sento-me com as pernas em cima da mesa, pego o teclado e ponho-o no meu colo. desse jeito fica confortável; quase não dá vontade de levantar pra ir dormir. sei que toda vez que deito a cabeça no travesseiro, ela começa a funcionar a mil por hora. milhões de pensamentos desvairados voam pelos minutos que parecem nunca terminar. até que perco a noção do tempo, deixo meu subconsciente começar a dirigir a história; mas tão superficialmente que começo a conseguir distinguir que pensamentos são reais dos que são puramente utopia. e desse modo começo a tentar a me forçar a silenciar minha mente; conto números, tento enxergar o preto dos meus olhos fechados; acho vultos, curvas escuras; ondulações espectrais; cintilantes luzes que mergulham na escuridão desse mar inacabável de vácuo maciço que minhas frontais células guardam. e a partir daí me deixo imaginar; crio cenários de lugares em que eu queria estar; crio bosques de árvores, caminhos secretos, cipós e raízes, musgos e o frescor do ar úmido. a companhia de alguém indescritível, inalcançável, inimaginável. sigo caminhando pela fantasia que é aquilo de viver o sonho. uma sensação de liberdade inigualável se instala em meu peito e eu respiro profundamente; inspiro enchendo todos os cantos do pulmão, todos os alvéolos realizam a hematose; o frescor renova minha alma; exalo energia vibrante de quem ostenta por sempre mais. entro em completa sintonia com aquele ambiente ameno; passarinhos cantam; a água de um riacho corre perto; resolvo sentar-me em uma grande raiz; me aconchego, olho para o céu por entre os galhos; os raios de luz entram por entre as folhas, batem em minha pele; me sinto calma. me permito continuar na inércia daquele conforto. fecho então os olhos e finalmente calma, enxergo a escuridão que me saudou tão calorosamente. me concentro em minha respiração e vou relaxando cada músculo de meu corpo; tento sentir todos os pontos de contato de meu corpo com o solo, até que, transcendendo, desprego-me dessa materialidade e viajo por um fluxo inconstante das minhas vontades que me completa ao extremo.

http://www.youtube.com/watch?v=f2Fh-8VP74g

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