sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

E depois?

O tempo me tinha,
eu tinha o tempo.
O tempo era um mês
e naquele mês você me tinha.

Agora, mergulhada na solidão
eu penso no tempo;
no tempo que poderia ter sido melhor aproveitado.

Sabíamos que deveria ser algo passageiro,
mas como poderíamos ter qualquer noção
de tempo ou espaço,
se quando estou com você tudo parece tão completo?

O resto parecia desprezível pois
Eu te tinha e
você me tinha.

Éramos eu e você, tentando conciliar
o breve infinito do momento presente,
com o vasto infinito do futuro próximo;
que a cada dia que passava,
nos chicoteava com o impacto da terrível sensação
de que logo tudo acabaria,
de que o nosso tempo se esgotaria.
E aí só na memória ficaria.

Mas eu me continha.
Tentava não me envolver por completo.
Tentava evitar a imensidão do sentimento de falta depois.

Tentei, tentei e tentei.
Mas eu a tinha;
tinha a fórmula.
A fórmula do meu sorriso;
estava simplesmente diante de mim.

Não consigo entender;
não posso entender;
não quero entender!

De uma coisa eu sei:
te quero. Aqui, agora, do meu lado.
Não por um minuto ou por uma hora.
Não por uma noite ou um dia.
Não por um mês.

Te quero por completo, inteiramente do meu lado;
que quando eu quiser te abraçar,
simplesmente poderei te abraçar,
e não esperar angustiada pela próxima vez que nos veremos.

Te quero do meu lado.
Na nossa árvore, no carro, fumando,
dançando, rindo;
olhando as nuvens...

Já ouço os pássaros.
Está amanhecendo;
e você precisa ir.

Mas tudo bem,
eu me conformo
pois ainda hoje nos veremos.

Já ouço os pássaros.
Está amanhecendo;
e eu preciso ir.

E não. Não me conformo
pois vou para longe.
Volto para a rotina.
Volto para a realidade.

Afinal, eu sabia que algum dia acabaria.
Chegaria ao fim.
Só não pensei em como lidar com o depois.
Eis o grande depois.

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